Fizeste da minha vida um inferno.
Gritaste todas as noites com uma filha que só estava à tua espera. Descarregaste em mim todas as tuas frustrações. Mandaste-me para a escola doente, sem sequer perceberes o estado em que eu estava. Gritavas comigo quando chorava, sendo tu a causa das minhas lágrimas. Tudo o que era feito por mim estava mal feito. Comparavas-me a toda a gente e atiravas-me um "nunca vais ser como ela" que doía mais que valentes pedradas na cabeça. Dizias que ia acabar sozinha porque era uma criança má e eu sempre acreditei nisso. Criaste um monstro cheio de complexos e lacunas psicológicas.
Mas eu tive uma mãe. A minha avó. E a ela sim: obrigada por teres estado sempre comigo. Obrigada por teres curado as minhas feridas quando eu caía de bicicleta. Obrigada por me abraçares quando chorava, e por me perceberes. Obrigada por me defenderes, por me castigares e por me repreenderes. Obrigada por ralhares comigo quando andava à chuva e quando trazia animais para casa. Obrigada por não me teres dado tudo o que eu pedia, por teres dito 'não' tantas vezes. Obrigada por me tornares uma pessoa melhor do que eu era com a minha mãe. Obrigada por tudo.
Porque nem sempre o papel de mãe cabe às próprias. E nunca fui eu a filha da minha mãe, ainda não sou. E hoje vou cantar um solo para ela, em frente a 200 pessoas. E são 6 da manhã e eu não consigo dormir porque tenho medo de falhar. E se o fizer vou ser "a maior desilusão". Mas ainda assim, vou fazê-lo. Porque ela continua a ser minha mãe, ainda que não o tenha sido.
Um abraço para todas as mães, e se são daquelas mães ausentes que só se lembram do filho quando chegam a casa tentem mudar isso caso contrário vão transformar o vosso filho numa criatura traumatizada e maluquinha como eu :)